CSN - Central Sul de Notícias - Por Douglas de Souza
Da Redação
O Paraná escolheu Deltan Dallagnol (Novo) para uma das duas vagas do Estado no Senado Federal. O ex-procurador da República, que ganhou projeção nacional como um dos principais nomes da Operação Lava Jato, recebeu 25,14% dos votos válidos e terminou a eleição em segundo lugar, atrás de Filipe Barros (PL), eleito para a outra cadeira.
A vitória, porém, não pode ser dissociada da batalha jurídica que acompanhou sua candidatura até praticamente o momento da abertura das urnas. Dallagnol chegou ao dia da eleição em uma situação incomum. Na véspera, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, havia indeferido seu registro e determinado que os votos destinados à candidatura fossem considerados nulos.
No domingo, dia da votação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão e permitiu que Dallagnol permanecesse com a candidatura deferida, ainda que sub judice, garantindo que os votos fossem computados. O eleitor paranaense, portanto, foi às urnas sabendo que a candidatura havia sido alvo de uma disputa judicial até as últimas horas.
Do risco de ficar fora da urna à vitória
A trajetória eleitoral de Dallagnol foi marcada por sucessivas decisões judiciais. Em setembro, o TRE do Paraná havia autorizado sua candidatura por 4 votos a 3. O pedido de impugnação havia sido apresentado por uma coligação integrada por PT e PDT.
Posteriormente, o TSE suspendeu os atos de campanha do candidato e, em julgamento, formou maioria para manter a suspensão. Dallagnol ficou impedido de realizar atividades de campanha, embora sua situação eleitoral continuasse sendo discutida judicialmente.
A situação mudou novamente na véspera da eleição. A decisão monocrática do ministro Floriano de Azevedo Marques retirou o registro de Dallagnol. No dia seguinte, entretanto, Nunes Marques suspendeu essa decisão, argumentando, entre outros pontos, que ela havia sido tomada na véspera da eleição, quando as urnas já estavam preparadas e o eleitorado não teria tempo hábil para ser informado sobre uma eventual retirada dos votos. Com isso, Dallagnol pôde ser votado e seus votos foram contabilizados.
Uma eleição sob o peso da Lava Jato
Dallagnol construiu sua trajetória pública como procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Foi justamente essa atuação que o colocou no centro de uma disputa política que ultrapassou os limites da operação. Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado federal. A Corte entendeu que sua saída do Ministério Público Federal, antes da conclusão de procedimentos disciplinares, configurava tentativa de contornar a Lei da Ficha Limpa. A defesa de Dallagnol sempre contestou essa interpretação.
Na eleição de 2026, a controvérsia voltou ao centro da disputa. O PT participou das iniciativas judiciais que questionaram a candidatura. Dallagnol e seus aliados, por sua vez, classificaram a impugnação como uma tentativa de impedir sua volta à política pelo caminho judicial.
O eleitor respondeu nas urnas
Independentemente da disputa jurídica, houve uma resposta objetiva das urnas. Mais de um milhão de eleitores paranaenses escolheram Deltan Dallagnol para representá-los no Senado. O resultado mostra que a controvérsia judicial não impediu sua eleição. Dallagnol recebeu 25,14% dos votos válidos, ficando à frente de candidatos que também disputavam uma das duas cadeiras disponíveis.
É esse resultado que passa a ter peso político. Depois de ter o mandato de deputado cassado, enfrentar questionamentos sobre sua elegibilidade e chegar ao dia da votação com o registro novamente em discussão, Dallagnol retorna ao Congresso Nacional agora como senador eleito pelo Paraná.
O significado político da vitória
A eleição de Dallagnol também se encaixa no mapa político produzido pelo Paraná em 2026. Sergio Moro foi eleito governador no primeiro turno. Filipe Barros e Dallagnol conquistaram as duas vagas ao Senado. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno muito à frente de Lula no Estado.
O conjunto dos resultados revela uma forte presença eleitoral da direita paranaense. No caso específico de Dallagnol, existe ainda um elemento adicional: sua eleição representa a permanência de uma figura central da Lava Jato no cenário político nacional, mesmo depois das decisões judiciais que interromperam sua trajetória parlamentar anterior.
A batalha jurídica ainda não terminou
A eleição não encerra automaticamente a questão jurídica. A decisão de Nunes Marques permitiu que os votos fossem computados, mas a candidatura permaneceu sub judice, aguardando julgamento definitivo pela Justiça Eleitoral. Isso significa que a vitória eleitoral e a situação jurídica precisam ser tratadas separadamente. Nas urnas, Deltan Dallagnol foi escolhido pelos eleitores paranaenses. Na Justiça Eleitoral, porém, ainda há uma questão a ser definitivamente resolvida sobre a validade de sua candidatura. É justamente essa combinação que torna a eleição de 2026 particularmente singular.
O Paraná escolheu
Dallagnol entrou na eleição sob intensa contestação jurídica e terminou a votação eleito. A decisão final sobre sua candidatura caberá à Justiça Eleitoral. Mas o resultado das urnas produziu uma mensagem política concreta: o eleitorado paranaense que votou em Dallagnol escolheu o ex-procurador para ocupar uma das cadeiras do Estado no Senado. Depois de anos no centro das maiores disputas políticas e judiciais do país, o ex-procurador da Lava Jato volta a Brasília.Desta vez, não como integrante do Ministério Público ou deputado federal, mas como senador eleito pelo Paraná — em uma eleição cuja própria existência esteve em disputa até o último momento.

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