CSN - Central Sul de Notícias - Reportagem Especial
Da Redação
Em uma época em que a educação era privilégio de poucos e o acesso à saúde dependia de recursos e influência, um homem simples do interior de Minas Gerais se destacou pela capacidade de transformar sua comunidade por meio da fé, do conhecimento e da caridade. Eurípedes Barsanulfo (1880–1918), natural da cidade de Sacramento, tornou-se uma das figuras mais reverenciadas do espiritismo brasileiro e exemplo de dedicação ao ser humano.
Filho de família modesta e autodidata, Eurípedes iniciou sua carreira como professor e farmacêutico, profissões que seriam pilares de sua atuação social. Mas foi ao entrar em contato com a doutrina espírita, no início do século XX, que sua vida tomou um rumo definitivo: educar e servir ao próximo seria sua missão.

O pioneiro da educação solidária
Em 1907, Eurípedes fundou o Liceu Sacramentano (mais tarde conhecido como Colégio Allan Kardec), uma escola que inovava não apenas por ser gratuita, mas também por propor um modelo pedagógico à frente de seu tempo. Inspirado no educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi, ele defendia que ensinar era, antes de tudo, desenvolver o amor, a ética e a capacidade de pensar.
As salas de aula eram abertas a todos — filhos de agricultores, trabalhadores rurais, famílias sem renda — e o ensino incluía literatura, ciências, música, geografia e reflexões sobre valores humanos. A educação não formava apenas alunos, mas cidadãos sensíveis e críticos.
Curador do corpo e da alma
Além da educação, Eurípedes atuava como farmacêutico e curador. Ele preparava remédios fitoterápicos na própria farmácia da família e os distribuía gratuitamente aos mais necessitados. Muitos relatos da época falam sobre curas espirituais, que ele atribuía à mediunidade e à assistência espiritual.
Seu consultório improvisado era, na verdade, um espaço de acolhimento. Ali, ele recebia os enfermos, escutava, orientava e oferecia auxílio material e espiritual. Para muitos moradores de Sacramento, Eurípedes foi o único acesso a cuidados de saúde durante anos.
Vida simples, legado grandioso
Apesar do grande respeito que conquistou, Eurípedes nunca buscou reconhecimento ou posse. Viveu de forma simples, dedicando praticamente todos os seus recursos à assistência social e à manutenção da escola. Faleceu jovem, aos 38 anos, vítima da epidemia de gripe espanhola, enquanto atendia doentes da cidade.
Seu legado, porém, resistiu ao tempo. O Colégio Allan Kardec segue em funcionamento, servindo como símbolo de educação humanizada. Nas casas espíritas de todo o país, Eurípedes é lembrado como o “Apóstolo da Caridade” — um homem que fez da espiritualidade uma prática social concreta.
UMA REFERÊNCIA ATUAL
Num mundo marcado por desigualdades, o exemplo de Eurípedes Barsanulfo ainda ecoa. Sua atuação mostra que fé e educação podem caminhar juntas, e que o conhecimento, quando aliado ao amor ao próximo, se transforma em ferramenta de transformação coletiva.




Comentários: