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Segunda-feira, 05 de Outubro 2026
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Paraná confirma força da direita: Sergio Moro vence no primeiro turno e Rosangela Moro chega à Câmara

Ex-juiz da Lava Jato obtém mais de 3,1 milhões de votos e assume o governo do Paraná. Esposa, Rosangela Moro, também vence nas urnas e amplia a presença política da família no Estado

Paraná confirma força da direita: Sergio Moro vence no primeiro turno e Rosangela Moro chega à Câmara
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CSN - Central Sul de Notícias -  Por Douglas de Souza —

Da Redação

O Paraná produziu nas urnas um dos resultados mais expressivos da direita brasileira nas eleições de 2026. Sergio Moro (PL), ex-juiz federal, ex-ministro da Justiça e atual senador, foi eleito governador do Estado ainda no primeiro turno, com 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos.

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O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das urnas apuradas. Sandro Alex (PSD) terminou em segundo, com 25,37%, enquanto Requião Filho (PDT) ficou em terceiro, com 23,47%. 

A vitória coloca Moro à frente do Executivo paranaense a partir de 2027 e consolida uma trajetória política que começou depois de sua atuação como magistrado na Operação Lava Jato.

Uma vitória acima da marca dos 50%

A eleição de Moro tem um significado particular porque o Paraná mantém, desde 2010, uma sequência de governadores escolhidos já no primeiro turno. A última eleição estadual paranaense decidida em segundo turno ocorreu em 2006.

Moro, porém, não apenas venceu: ultrapassou a barreira de 50% dos votos válidos. O candidato chegou à disputa carregando uma trajetória política marcada pela atuação na Lava Jato, pelo período como ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro e pelo mandato de senador iniciado em 2023.

Em março de 2026, Moro ingressou no PL para disputar o governo paranaense. Durante a campanha, recebeu apoio público de integrantes do campo político bolsonarista, incluindo Flávio Bolsonaro. A vitória também confirma a capacidade de Moro de transformar sua projeção nacional em votação estadual.

O casal Moro nas urnas

A eleição paranaense produziu ainda outro resultado politicamente relevante: Sergio Moro e sua esposa, Rosangela Moro, foram eleitos para cargos diferentes no mesmo pleito.

Rosangela Moro, que já exerce mandato na Câmara dos Deputados, foi reeleita agora pelo Paraná. Candidata pelo PL, recebeu 146.417 votos, correspondentes a 2,34% dos votos válidos, ficando entre os 30 deputados federais eleitos pelo Estado.  A eleição modifica também a configuração política da família Moro. Sergio comandará o Executivo estadual, enquanto Rosangela terá assento na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O mapa eleitoral vai além de Moro

O resultado para governador não pode ser analisado isoladamente.

No Senado, as duas vagas destinadas ao Paraná foram conquistadas por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), outro nome diretamente associado à Operação Lava Jato. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. 

Na disputa para a Câmara dos Deputados, PL e PT elegeram cinco parlamentares cada, enquanto Novo também conquistou duas das primeiras posições da votação: Jeffrey Chiquini foi o deputado federal mais votado, seguido por Guilherme Kilter. 

Portanto, embora o resultado não permita reduzir todo o eleitorado paranaense a uma única corrente política, há uma concentração expressiva de votos em candidatos identificados com a direita e com o campo político conservador.

Paraná também votou contra o PT na disputa presidencial

A fotografia da eleição presidencial reforça essa leitura. No Paraná, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 59,96% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 31,14%. 

São mais de 28 pontos percentuais de diferença entre os dois candidatos no Estado. O resultado faz do Paraná um dos estados onde a candidatura de Flávio Bolsonaro apresentou vantagem mais ampla sobre Lula no primeiro turno.  É nesse conjunto de resultados que ganha força a interpretação de que o Paraná permanece como um dos principais territórios eleitorais da direita no país.

Mas há uma diferença importante entre constatar o comportamento eleitoral e definir o Estado simplesmente como “anti-PT”. Os números demonstram que o PT perdeu a disputa presidencial no Paraná, mas o partido também elegeu cinco deputados federais, empatando com o PL como maior bancada paranaense na Câmara. 

Da Lava Jato ao Palácio Iguaçu

A trajetória de Sergio Moro ajuda a compreender o resultado.

O paranaense ganhou projeção nacional como juiz federal responsável por processos da Lava Jato em Curitiba. Em 2018, deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro. Depois, ingressou na política eleitoral e foi eleito senador pelo Paraná em 2022.

Agora, quatro anos depois, deixa o Senado para assumir o governo estadual.Sua vitória representa uma mudança importante de posição institucional: Moro passa de senador a chefe do Executivo de um dos estados mais importantes do país.

A nova função também o colocará diante de uma agenda diferente daquela que marcou sua carreira nacional: segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico, transporte, agricultura e administração estadual estarão no centro das cobranças.

O desafio começa depois da eleição

A força eleitoral conquistada por Moro nas urnas também aumenta a responsabilidade de seu futuro governo. Com 50,10% dos votos válidos, o governador eleito terá recebido um mandato majoritário claro, mas deverá administrar um Estado politicamente plural.

O Paraná possui diferentes regiões, realidades econômicas e demandas sociais. A votação mostra uma forte presença da direita, mas a eleição para a Câmara também revelou uma composição partidária diversificada.

O desafio, portanto, será transformar uma vitória eleitoral expressiva em capacidade administrativa. A partir de 2027, Sergio Moro terá de responder não mais como candidato, senador ou ex-juiz, mas como governador.

E é nesse ponto que a eleição deixa de ser apenas uma demonstração de força política e passa a representar uma cobrança concreta por resultados. O Paraná escolheu Moro. Agora, começa a fase em que o eleitorado poderá avaliar o que o governador fará com o mandato que recebeu.

FONTE/CRÉDITOS: CSN - Central Sul de Notícias - Reportagem Especial

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