Brasília – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (18) uma nova fase da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do ex-mandatário, localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília, e no escritório político do Partido Liberal na capital federal.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações ligadas à chamada "milícia digital" e à Operação Tempus Veritatis, que apura articulações antidemocráticas e uma possível tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.
Além da busca e apreensão, Bolsonaro também teria sido alvo de medidas cautelares diversas da prisão. Segundo informações da CBN e do portal G1, uma das ordens judiciais inclui o uso de tornozeleira eletrônica, ainda não confirmada oficialmente pela defesa.
A assessoria de Bolsonaro confirmou a presença da Polícia Federal em sua casa e também na sede nacional do PL, partido ao qual está filiado. O ex-presidente ainda não se manifestou publicamente até o fechamento desta reportagem.
Esta nova investida ocorre no contexto da ação penal já em curso no STF, na qual Bolsonaro é réu pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de direito e incitação à animosidade entre as Forças Armadas e os poderes constitucionais. A Procuradoria-Geral da República já apresentou denúncia formal em fevereiro deste ano, sugerindo penas que somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Investigação se aprofunda
A Operação Tempus Veritatis ganhou força a partir de delações de militares e civis que integravam o núcleo de assessoria direta de Bolsonaro, e de documentos apreendidos em etapas anteriores da investigação.
Segundo fontes próximas ao inquérito, os mandados de hoje buscam aprofundar a apuração sobre os responsáveis pela produção e difusão de minutas golpistas, que teriam sido preparadas nos últimos dias do governo Bolsonaro para contestar o resultado das urnas.
Próximos passos
A Polícia Federal deverá elaborar um relatório completo sobre os materiais apreendidos nesta sexta. O conteúdo será enviado ao Supremo, e o ministro Alexandre de Moraes poderá determinar novas medidas cautelares, inclusive prisões preventivas, caso identifique obstrução da Justiça ou risco à ordem pública.
Fontes do STF afirmam que a decisão de autorizar buscas neste momento levou em consideração suspeitas de articulações recentes com lideranças políticas nos Estados Unidos. Bolsonaro viajou ao país no início do mês, mas retornou ao Brasil no último dia 12, após pressões diplomáticas e judiciais.
Resumo dos fatos
Data da operação: sexta-feira, 18 de julho de 2025
Alvo principal: Jair Bolsonaro
*Mandados cumpridos: na residência oficial e na sede do PL
Autorização judicial: ministro Alexandre de Moraes, STF
Investigação: tentativa de golpe de Estado e organização criminosa
Medidas previstas: tornozeleira eletrônica e outras cautelares
A reportagem seguirá atualizando este conteúdo ao longo do dia conforme novas informações forem confirmadas.

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