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Da Redação
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que o ex-presidente Donald Trump não tinha respaldo legal para impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. A Corte concluiu que a legislação não autoriza o presidente a criar tarifas amplas por país, anulando as chamadas tarifas “recíprocas” adotadas durante a gestão Trump.
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O que permanece em vigor
A decisão não atinge as tarifas aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que permite taxar produtos considerados ameaça à segurança nacional.
Com isso, continuam valendo sobretaxas sobre aço, alumínio, veículos e outros itens estratégicos.
Setores ainda afetados
🚗 Automóveis
A indústria automobilística segue pressionada. As tarifas de até 25% sobre veículos e peças importadas continuam válidas sob a Seção 232.
Montadoras como a General Motors estimam impacto entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões neste ano. Já a Ford Motor Company projeta custo líquido de cerca de US$ 2 bilhões em 2026.
Apesar de acordos bilaterais com países como Reino Unido e Japão terem reduzido parte das taxas, o cenário ainda é de incerteza.
💊 Farmacêuticos
O setor vive expectativa. Embora tarifas sobre medicamentos ainda não tenham sido implementadas, há investigação aberta com base na Seção 232.
Trump já ameaçou impor taxas de até 200% ou 250% sobre importações farmacêuticas. A estratégia é incentivar a produção dentro dos Estados Unidos.
Empresas como Merck & Co., Bristol Myers Squibb e Novartis firmaram acordos para reduzir preços em troca de isenções temporárias.
🛋️ Móveis
Sofás, armários e gabinetes seguem com tarifas de aproximadamente 25%, também baseadas na Seção 232.
O setor enfrenta ainda juros elevados e inflação. Pequenas empresas relatam maior dificuldade financeira, e grandes redes já encerraram operações nos últimos meses.
🥤 Alimentos e bens de consumo
As tarifas sobre aço e alumínio — que chegaram a 50% no caso do alumínio — continuam impactando fabricantes de bebidas e embalagens.
Gigantes como Coca-Cola, PepsiCo e Keurig Dr Pepper seguem pressionadas pelo aumento de custos.
Por outro lado, alguns produtos agrícolas e a celulose brasileira já haviam sido isentados antes mesmo da decisão da Corte.
Cenário segue indefinido
A decisão representa um revés jurídico importante para a política tarifária de Trump, mas não encerra o impacto das tarifas na economia americana.
Setores estratégicos continuam sujeitos a taxas elevadas, e empresas ainda aguardam maior clareza sobre possíveis reembolsos e novas disputas judiciais.

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