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Domingo, 10 de Maio de 2026

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Jovem acolhido pela FAS passa no vestibular de Educação Física

Natural de Curitiba, V. vive desde os 10 anos em acolhimentos mantidos pela Prefeitura. O pai é falecido e ele não tem contato com a mãe. Apaixonado por esportes desde pequeno, V. encontrou no voleibol não apenas um lazer, mas uma perspectiva profissional.

Jovem acolhido pela FAS passa no vestibular de Educação Física
CSN - Adolescente acolhido pela FAS passa no vestibular de Educação Física. Foto: Sandra Lima
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CSN - Central Sul de Notícias - Secom

Da Redação

Aos 17 anos, o adolescente V.P.I., acolhido na Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) Santa Felicidade, da Fundação de Ação Social (FAS), acaba de conquistar uma importante vitória, a aprovação no vestibular de Educação Física da Universidade Positivo. A conquista representa muito mais do que o ingresso no ensino superior, mas também persistência, amadurecimento e a construção de um novo projeto de vida.

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Natural de Curitiba, V. vive desde os 10 anos em acolhimentos mantidos pela Prefeitura. O pai é falecido e ele não tem contato com a mãe. Apaixonado por esportes desde pequeno, V. encontrou no voleibol não apenas um lazer, mas uma perspectiva profissional.

“Sou fissurado pelo vôlei. Para eu me tornar um atleta de ponta seria um pouco difícil por causa da altura, mas tenho um bom desempenho”, conta o rapaz, que nesta quinta-feira (18/12) participou da festa de Natal oferecida pela FAS para crianças e adolescentes acolhidos.

A escolha pela Educação Física está diretamente ligada a esse sonho. “Quero criar atletas, fazer a formação de outros atletas com o que eu conheço do esporte. Assim poderei trabalhar diretamente com o vôlei”, planeja.

Entrada na universidade

Além do vestibular da Universidade Positivo, V. também fez o Enem, que ainda aguarda o resultado, e tentou uma universidade federal, mas não foi aprovado. A decisão pela Positivo, segundo ele, foi natural. “Gosto da universidade e tenho amigos próximos, que jogam vôlei comigo e estudam lá”, conta.

Além da aprovação, V. conquistou uma bolsa de estudos para cursar a graduação. O curso será ofertado de forma presencial e on-line.

Estudos e desafios

Bolsista do Sesc, V. conta que o ensino médio foi uma fase exigente. “O colégio foi difícil e a gente só entra passando na prova. No começo senti dificuldades, mas me acostumei, amadureci lá dentro”, diz. Segundo ele, a experiência ajudou a direcionar seus planos. “Você cria uma mentalidade voltada para o futuro, já pensando na faculdade e no que quer ser profissionalmente.”

Durante esse período, V. chegou a empreender com um colega também acolhido na UAI. Eles produziam bolos de pote, chegaram a vender para amigos e servidores da FAS e criaram um perfil nas redes sociais, mas o projeto precisou ser interrompido para priorizar os estudos.

Transição para a vida adulta

V. permanece na UAI Santa Felicidade até o próximo ano. Em agosto, quando completar 18 anos, terá que deixar o acolhimento institucional. Com a transição, ele planeja morar em uma das repúblicas mantidas pela FAS, voltadas a jovens que deixam os acolhimentos e não têm local para morar.

“Quero ter minha vidinha, me organizar, ter meu lugar”, afirma. V. tem uma irmã, de 19 anos, com quem mantém contato frequentemente. Ela chegou a convidá-lo para morar junto, mas ele prefere que a irmã siga sua própria vida.

Apoio que faz a diferença

Para V., a UAI Santa Felicidade tem um papel de destaque em sua vida. “É um lugar que dá bastante apoio. Eles incentivam, conversam bastante com a gente e dizem que precisamos nos esforçar para ter um bom futuro. Eles ajudam e apoiam”, diz.

Para o presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Renan de Oliveira Rodrigues, a história de V. reflete o papel do serviço de acolhimento institucional na proteção e no desenvolvimento de crianças e adolescentes afastados de suas famílias por medida protetiva determinada pela Justiça.

“O acolhimento institucional é uma medida de proteção aplicada em situações de violação de direitos, como abandono, negligência ou violência física, psicológica e até sexual. Nosso trabalho é garantir proteção integral, cuidado e apoio para que crianças e adolescentes possam reconstruir seus projetos de vida e fazer uma transição segura para a vida adulta”, explica.

Serviço essencial

O Serviço de Acolhimento Institucional integra a Política Pública de Assistência Social e garante proteção integral a crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por medida protetiva. O atendimento é provisório e individualizado, até que seja possível o retorno à família de origem ou a inserção em família substituta.

O afastamento do convívio familiar é sempre uma medida excepcional, aplicada apenas quando há risco à integridade física ou emocional da criança ou do adolescente.

Curitiba conta com oito unidades próprias de acolhimento para crianças e adolescentes. Além disso, a FAS mantém parceria com 14 organizações da sociedade civil, que integram a Rede de Instituições de Acolhimento de Curitiba e Região Metropolitana (RIA). Juntas, as unidades oficiais e parceiras atendem aproximadamente 600 crianças e adolescentes.

 

FONTE/CRÉDITOS: CSN - Central Sul de Notícias - Secom
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