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Segunda-feira, 13 de Julho 2026
Colunas/Cultura e Literatura

RUA - LEMBRANÇA FLORIDA

Em primeira mão, compartilho uma das crônicas que será publicada e deixo o meu convite: permita-se recordar as ruas floridas que marcaram a sua trajetória.

RUA - LEMBRANÇA FLORIDA
CSN. Foto:Arte
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CSN - Central Sul de Notícias - colunista Lysandra Fortes

Caro leitor,

Ao escrever algumas crônicas para um livro que reúne memórias ligadas a diferentes endereços, percebi o quanto a minha história está atrelada a algumas ruas. O mais curioso é que eu nunca havia pensado sobre isso até ter a oportunidade de participar deste projeto.


Escrevi sobre duas ruas de Curitiba (PR): a Rua Francisco Balchack e a Rua Deputado Attílio de Almeida Barbosa. Foi como abrir uma gaveta de lembranças e encontrar ali inúmeras histórias antigas e especiais da minha vida, muitas das quais eu já havia esquecido. 

Em primeira mão, compartilho uma das crônicas que será publicada e deixo o meu convite: permita-se recordar as ruas floridas que marcaram a sua trajetória. Afinal, às vezes, basta lembrar de um endereço para reencontrarmos uma parte de nós mesmos.

Rua Deputado Attílio de Almeida Barbosa - Sabor de infância e aventuras. Mudei-me para o sobrado em 1992. Eu estava prestes a completar dois anos e, pouco tempo depois, minha irmã Larissa chegou. Lembro-me das paredes externas pintadas de rosa e branco.

No quintal, havia um balanço, um escorregador e muita grama. Eu e minha irmã cavávamos a terra do quintal, misturávamos o barro com água e fazíamos nossa própria argila. Tempos depois, as esculturas estavam prontas e chegava a hora de pintá-las. Fazíamos uma bagunça enorme, mas era só diversão e gargalhadas.


Na rua, brincávamos com os vizinhos de bets, futebol, esconde-esconde e pega-pega. No fim do dia, cada um corria para sua casa antes de escurecer. O imóvel ficava na esquina e, na rua lateral, a Carlos de Campos, havia uma descida que se tornou nossa pista de corrida. Eu e a Lari descíamos em alta velocidade com nossos patinetes até o final da rua, que dava acesso ao Conjunto Cassiopeia.

Na época, havia alguns meninos considerados perigosos na vizinhança, que chegavam a pintar o nome da “gangue” no chão. Como éramos abusadas, chegávamos perto para espiar e saíamos correndo. Pouco depois, voltávamos e fazíamos tudo de novo. Um dia, levei uma amiga para brincar comigo. Subimos no muro da casa e ficamos ali conversando.

Quando resolvemos descer, percebemos que minha irmã havia tirado a cadeira que usávamos para subir e nos deixou presas lá em cima. Ela adorava me provocar (e ainda gosta). Depois de muito gritar e chamá-la, desistimos e nos jogamos de um muro com mais de dois metros de altura. Não nos machucamos e, toda vez que me lembro dessa história, dou muita risada.

Nas férias, nosso primo passava semanas dormindo em casa, e a bagunça ficava ainda maior. O tempo passou e chegou nosso irmão Lucas. A festa aumentou ainda mais e estávamos sempre grudados. Líamos muitos livros, gibis da Turma da Mônica e a revista Recreio, que amávamos. Sempre que uma nova edição era lançada, corríamos até a banca para comprar. Nos fins de semana, também era dia de ler a Gazetinha, revistinha infantil que vinha junto com o jornal Gazeta do Povo. 

Gostávamos de jogar videogame, assistir a desenhos, ouvir música no rádio e, quando o computador chegou, era uma disputa para usá-lo. Ficamos fascinadas por aquela tecnologia. Como a internet utilizava a linha telefônica, o tempo de uso era contado para cada uma. Nos fins de semana, minha mãe alugava filmes na locadora e cada um podia escolher o seu. No jantar, havia pizza ou comida chinesa. Éramos fascinadas pelos biscoitos da sorte. Nós adorávamos; era o nosso ritual.


Foi nessa casa que escrevi meus primeiros poemas e sonhei em ser escritora. Se essa casa tivesse um nome, eu a chamaria de Larissa, porque toda recordação especial dos doze anos que vivi ali está ligada à minha irmã. Sou grata por ter recebido dos meus pais os melhores amigos que poderia ter: meus irmãos, Larissa e Lucas.
Amo vocês!
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Sobre Attílio de Almeida Barbosa
Attílio de Almeida Barbosa (1883–1962) foi um dos políticos mais influentes do Paraná
no século XX. Nascido na cidade da Lapa, construiu sua trajetória em Campo Largo,
onde fundou uma importante farmácia e exerceu o cargo

FONTE/CRÉDITOS: CSN - Central Sul de Notícias - colunista Lysandra Fortes

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Lysandra Fortes

Publicado por:

Lysandra Fortes

Lysandra Fortes do Amaral, empresária, espírita, escritora, autora do Livro Gavetas da Vida, membro da Academia de Letras José de Alencar e sócia fundadora do Sindicato de Escritores do Brasil

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