CSN - Central Sul de Notícias - colunista J.Tucon
Da Redação
Em tempos em que o excesso de cores, sons e imagens domina o nosso cotidiano, uma simples fotografia em preto e branco pode dizer mais do que mil paisagens coloridas. A imagem acima, retratando uma flor em plena abertura, é um convite ao olhar demorado — aquele que observa sem pressa, que busca sentido nos detalhes e silêncio nas formas.
A ausência de cor transforma a fotografia em um exercício de percepção. Sem o brilho das pétalas coloridas, o olhar é levado a enxergar o que normalmente passa despercebido: as texturas suaves, o contraste das sombras, a geometria perfeita que a natureza desenha com rigor quase matemático. Cada linha e curva da flor se transforma em uma expressão de equilíbrio e delicadeza.
O preto e branco, nesse contexto, não é uma limitação — é uma escolha estética e emocional. Ele faz com que a flor deixe de ser apenas uma flor. Transforma-se em símbolo de resistência, pureza e introspecção. Sua beleza não está mais no impacto visual imediato, mas na sutileza que convida à contemplação. É como se a imagem dissesse: “para ver o essencial, é preciso olhar além da cor”.
Há também uma dimensão simbólica: o contraste entre luz e sombra pode representar a dualidade da própria vida. Assim como nas pétalas há claridade e escuridão, nós também somos feitos de partes luminosas e obscuras, e é nessa harmonia que reside a verdadeira beleza.
Em um mundo acelerado, essa fotografia nos lembra do poder do instante. Um gesto simples — o clique de uma câmera — eterniza a fragilidade e a força de uma flor. E ao fazê-lo em preto e branco, o fotógrafo transforma o efêmero em eterno.
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