CSN - Central Sul de Notícias - Brasil/China
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza às recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu taxar produtos de países do BRICS. Em entrevista coletiva durante a cúpula do grupo, realizada no Rio de Janeiro, Lula classificou as declarações de Trump como “irresponsáveis” e reafirmou que o BRICS não nasceu com o propósito de confrontar outras nações, mas sim de ampliar a cooperação e buscar mais equilíbrio nas relações internacionais.
“Trump tem que aprender que respeito é bom, e a gente gosta. O BRICS não foi criado para afrontar ninguém, e sim para construir um mundo mais justo”, disse Lula, em tom direto, criticando o uso das redes sociais como palanque para ameaças econômicas.
O ex-presidente dos EUA publicou recentemente que adotará tarifas mais duras contra países “inimigos da economia americana”, incluindo membros do BRICS como China, Rússia e Brasil. A afirmação foi mal recebida em Brasília e Pequim, gerando reações imediatas.
BRICS como alternativa ao eixo ocidental
Durante sua fala, Lula destacou que o BRICS é uma iniciativa de países em desenvolvimento que buscam ter mais voz nas decisões globais. “Queremos participar da construção de novas regras, não de novas guerras”, afirmou. Ele também apontou que a ampliação do grupo para incluir países como Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes demonstra que há uma demanda crescente por modelos de governança global mais representativos.
A China, principal alvo das críticas de Trump, manifestou apoio à posição brasileira. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês destacou que “as ameaças unilaterais violam o espírito do multilateralismo e da cooperação pacífica”. A aliança estratégica entre Brasil e China, construída ao longo das últimas décadas, se fortaleceu ainda mais com a adesão a projetos conjuntos como o CBERS (sistema de satélites), cooperação agrícola e infraestrutura logística.
Economia global em transição
Para analistas, o embate verbal entre Lula e Trump sinaliza um novo capítulo nas tensões comerciais globais, num momento em que o mundo ainda enfrenta os efeitos da pandemia, mudanças climáticas e instabilidade geopolítica.
“O BRICS, hoje, representa quase metade da população mundial e mais de 30% do PIB global em paridade de poder de compra. Naturalmente, isso incomoda quem estava acostumado a ditar sozinho as regras do jogo”, comenta André Santos, professor de Relações Internacionais da UFABC.
O Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco, tem enfatizado o papel do BRICS na construção de pontes — especialmente entre o Sul Global e as potências tradicionais. Na prática, isso se reflete em propostas como a ampliação do banco do BRICS, com novos financiamentos para projetos sustentáveis, e o estudo de uma moeda de referência para transações comerciais dentro do grupo.
Respeito e soberania como princípios
Ao concluir sua fala, Lula reiterou que o Brasil seguirá apostando no diálogo e na diplomacia como caminhos para resolver divergências. “O Brasil é um país soberano. E quem quiser nos tratar como adversários comerciais vai encontrar um país que não se curva, mas que prefere sempre a parceria ao confronto”, declarou.
A cúpula do BRICS continua nesta semana com encontros bilaterais e painéis temáticos. O foco brasileiro está em fortalecer laços com países africanos e asiáticos, além de consolidar o bloco como voz ativa em fóruns multilaterais como a ONU e a OMC. Diante das ameaças, a resposta de Lula deixa claro: o BRICS não teme provocações — mas não pretende imitá-las.

Comentários: