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Da Redação
A Organização Hengaw para os Direitos Humanos acusou a República Islâmica do Irã de cometer crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos registrados em dezembro de 2025. Segundo a entidade, o padrão de violência adotado pelo Estado iraniano apresenta elementos claros e múltiplos desse tipo de crime, conforme definido pelo direito internacional consuetudinário e pelo Estatuto do Tribunal Penal Internacional (TPI).
De acordo com investigações baseadas em informações de campo e documentação obtida junto a fontes independentes e confiáveis, forças governamentais iranianas teriam atuado dentro de uma política coordenada, ampla e sistemática de repressão. Entre os crimes apontados estão o assassinato premeditado de civis — incluindo crianças —, o uso extensivo e letal da força contra manifestantes, prisões em massa e arbitrárias, além da criação de chamados “tribunais de campo”.
A militarização de áreas urbanas, segundo o relatório, teve como objetivo disseminar medo e terror entre a população. Relatos convergentes indicam ainda a ocorrência de assassinatos em massa em diversas regiões do país.
Mais de 2.500 mortos
A Hengaw afirma que mais de 2.500 pessoas foram mortas em todo o Irã durante os protestos recentes. A organização informou que realiza verificações diárias das identidades das vítimas e publica os nomes confirmados em suas plataformas oficiais. Até o momento, 80 vítimas tiveram suas identidades totalmente verificadas e registradas.
O relatório também aponta ataques diretos a instalações médicas, incluindo hospitais nas cidades de Ilam e Teerã. O cerco e a invasão desses locais são classificados pela organização como graves violações do direito internacional humanitário, além de configurarem a negação deliberada de acesso a tratamento médico para feridos — atos que, isoladamente, já se enquadrariam como crimes contra a humanidade.
Apagão de informações
Outro ponto de destaque é o corte total da internet e as severas restrições às telecomunicações, que, no momento da divulgação do relatório, já duravam cinco dias consecutivos. Para a Hengaw, a medida foi deliberada e teve como objetivo impedir a circulação de informações, ocultar a dimensão real da repressão e dificultar o monitoramento e a responsabilização internacional das autoridades iranianas.
Apelo à comunidade internacional
Diante do cenário, a organização enfatiza que, quando um Estado promove assassinatos generalizados e premeditados de civis, a comunidade internacional tem a obrigação de acionar o princípio da Responsabilidade de Proteger (R2P).
A Hengaw argumenta que pressões diplomáticas e políticas isoladas são insuficientes e defende a consideração de todos os mecanismos legais previstos pelo direito internacional, incluindo medidas coercitivas vinculativas previstas na Carta das Nações Unidas. Segundo a entidade, tais ações não visam intervenção política, mas a proteção imediata de civis e o fim dos massacres.
Como passo inicial, a organização convoca o Reino Unido e a União Europeia a retirarem seus embaixadores de Teerã e a reduzirem as relações diplomáticas com o Irã. Para a Hengaw, essa seria a resposta mínima responsável diante de um governo acusado de violar sistematicamente os princípios fundamentais do direito internacional e de manter um quadro de impunidade.

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