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Da Redação
O ministro André Mendonça, do STF, determinou na terça-feira(01´09) a retirada do sigilo de parte da investigação relacionada ao caso Banco Master. A medida tornou públicos novos elementos obtidos pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro.
Segundo o relatório da PF, mensagens registradas no aparelho foram atribuídas a Alexandre de Moraes. O material indica que Vorcaro mantinha comunicação direta com o ministro e teria buscado sua ajuda diante do avanço de investigações envolvendo o Banco Master.
As conversas teriam sido realizadas por meio de capturas de tela de textos escritos no bloco de notas do celular e enviadas pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única. Segundo as informações divulgadas, Moraes também teria respondido utilizando mecanismo semelhante.
Vorcaro teria pedido ajuda diante do avanço das investigações
Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores são as mensagens trocadas em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, o empresário teria consultado Moraes sobre o risco de ser preso e perguntado se deveria deixar o país. Dois dias depois, em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar em um jato particular.
Outra mensagem atribuída a Vorcaro indica que ele teria pedido ao ministro que tentasse atuar junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para impedir ou reverter medidas contra o Banco Master.
Contrato de R$ 131 milhões aumenta questionamentos
Outro elemento que ganhou destaque é o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal identificou, nos metadados de um documento, que uma versão do contrato de R$ 131 milhões teria sido editada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A banca afirma que o setor de compliance solicitou informações ao ministro.
A dimensão do contrato é um dos pontos destacados por Charleaux. Para o colunista, a associação entre um negócio dessa magnitude e a participação direta ou indireta do ministro aumenta a necessidade de esclarecimentos públicos.
PF também encontrou negociação de segundo contrato
As revelações incluem ainda informações sobre uma segunda negociação, estimada em R$ 50 milhões, entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
De acordo com a Folha, a proposta previa que parte da remuneração pudesse envolver cotas de um jato executivo e de um helicóptero, além de valores relacionados a despesas com voos. O escritório afirma, porém, que apenas o contrato de R$ 130 milhões foi efetivamente assinado e posteriormente encerrado após a liquidação do Banco Master.
Relação pessoal também entra no foco das investigações
Mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam ainda para uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro. Segundo a Folha, os dois teriam se encontrado pelo menos seis vezes entre 2024 e 2025.
Em uma mensagem divulgada pelo UOL, Vorcaro teria manifestado ao ministro profunda gratidão, afirmando que ele e sua família tinham uma “dívida de vida” com Moraes e sua família. O conteúdo foi localizado pela PF no celular do ex-banqueiro.
Caso pode chegar ao plenário do Supremo
Para Charleaux, o conjunto de informações divulgado nesta terça-feira poderá levar o episódio a uma discussão mais ampla dentro do próprio STF.
O cenário, entretanto, ainda está em investigação. A existência de mensagens, contratos ou encontros não significa, por si só, que tenha ocorrido crime ou irregularidade. Eventuais responsabilidades dependerão da análise dos documentos, da manifestação dos envolvidos e das conclusões das autoridades competentes.
O caso ganhou ainda uma dimensão institucional. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu uma “apuração rigorosa e isenta” dos fatos relacionados à relação entre Vorcaro e Moraes.
A crise coloca o Supremo diante de uma situação particularmente sensível: esclarecer, com transparência, a natureza da relação entre um de seus ministros e um empresário que se tornou alvo de uma importante investigação da Polícia Federal.
Enquanto novas informações são analisadas, cresce a pressão para que os fatos sejam esclarecidos e para que eventuais responsabilidades, caso sejam comprovadas, sejam tratadas pelas instituições competentes.
A reportagem poderá ser atualizada à medida que novos documentos, manifestações oficiais e esclarecimentos dos envolvidos forem divulgados.

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