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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Terras raras colocam Brasil no centro de disputa global entre China e EUA

Projetos em andamento, como a exploração em Goiás, indicam avanço, mas especialistas apontam que o país ainda precisa investir no desenvolvimento da cadeia completa — da mineração ao produto final.

Terras raras colocam Brasil no centro de disputa global entre China e EUA
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CSN - Central Sul de Notícias -  Reportagem Especial

Da Redação

Por Douglas de Souza 

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As chamadas terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia, entraram de vez no radar da geopolítica mundial. Utilizadas na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos militares, essas matérias-primas se tornaram estratégicas para o futuro da economia global.

Hoje, o mercado internacional é fortemente concentrado. A China domina não apenas a extração, mas principalmente o processamento desses minerais — etapa considerada o verdadeiro gargalo da cadeia produtiva.

China lidera cadeia global

A China reúne cerca de metade das reservas conhecidas de terras raras e responde pela maior parte da produção mundial. O domínio, no entanto, vai além da mineração.

O país asiático controla mais de 85% do refino e concentra mais de 90% da produção de ímãs permanentes, componentes fundamentais para tecnologias modernas, como veículos elétricos e sistemas de energia renovável.

Esse controle dá ao governo chinês poder estratégico sobre cadeias industriais globais, incluindo setores considerados sensíveis, como defesa e transição energética.

EUA buscam alternativas e se aproximam do Brasil

Diante da dependência, os Estados Unidos intensificaram esforços para diversificar fornecedores e reduzir a influência chinesa. A estratégia inclui acordos com países que possuem reservas relevantes — e o Brasil aparece como peça-chave.

O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas ainda tem participação limitada na produção e praticamente inexistente no refino em larga escala.

Nos bastidores, há avanço de negociações para parcerias envolvendo exploração mineral, desenvolvimento tecnológico e instalação de plantas de processamento.

Brasil: potência mineral ainda subexplorada

https://www.gov.br/portos-e-aeroportos/pt-br/assuntos/noticias/2025/08/cargas-de-minerio-petroleo-e-soja-fortalecem-economia-do-nordeste-no-1o-semestre/tecon-salvador-vr.jpg

Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta entraves estruturais:

  • baixa capacidade industrial no setor

  • dependência tecnológica externa

  • exportação concentrada em matéria-prima

Projetos em andamento, como a exploração em Goiás, indicam avanço, mas especialistas apontam que o país ainda precisa investir no desenvolvimento da cadeia completa — da mineração ao produto final.

O gargalo do refino

A etapa de refino é considerada a mais complexa e estratégica. Trata-se de um processo químico sofisticado, que exige tecnologia avançada e alto investimento.

Sem dominar essa fase, países produtores acabam exportando minerais brutos e importando produtos industrializados com alto valor agregado.

Hoje, essa dependência mantém diversas economias sob influência direta da indústria chinesa.

 Impactos no comércio internacional

A disputa pelas terras raras deve provocar mudanças significativas no comércio global nos próximos anos:

  • Fragmentação de cadeias produtivas
    Blocos econômicos tendem a criar sistemas próprios de fornecimento

  • Oscilação de preços
    Tensões geopolíticas podem afetar oferta e demanda

  • Corrida tecnológica
    Países investem em inovação para reduzir dependência

  • Valorização de países com reservas
    Nações como o Brasil ganham relevância estratégica

Cenário para os próximos anos

A demanda por terras raras deve crescer de forma acelerada, impulsionada pela transição energética e digitalização da economia.

Nesse contexto, o Brasil pode assumir papel decisivo — desde que avance na industrialização e na agregação de valor à produção mineral.

Quem domina o mapa global

O cenário mundial é altamente concentrado — e desequilibrado:

  • China:

    • 49% das reservas globais

    • cerca de 69% da produção mundial

    • mais de 85% do refino

    • mais de 90% dos ímãs permanentes

  • Brasil:

    • 2º maior em reservas (23%)

    • produção ainda incipiente (menos de 1%)

  • Índia:

    • 3º lugar em reservas (7,7%)

O Ocidente depende da China não apenas para extrair, mas principalmente para processar e transformar esses minerais em produtos industriais.

Enfim..

As terras raras se consolidam como um dos principais ativos estratégicos do século XXI. A disputa entre China e Estados Unidos revela uma nova fase da economia global, marcada não apenas por comércio, mas por controle tecnológico e industrial.

Para o Brasil, o momento representa uma oportunidade histórica — com potencial para transformar riqueza mineral em protagonismo econômico.

FONTE/CRÉDITOS: CSN - Central Sul de Notícias - Reportagem Especial
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