CSN - Central Sul de Notícias - colunista Correia Lacerda
Da Redação
A célebre frase de Jesus, registrada nos evangelhos — “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” — continua atual e poderosa. Em poucas palavras, ela nos convida a refletir sobre dois tipos de riqueza: a material e a espiritual. Ambas existem, mas cada uma tem sua natureza, seu valor e seu destino.
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Vivemos em uma sociedade onde as riquezas materiais dominam as preocupações cotidianas. Trabalhamos, produzimos, pagamos impostos, buscamos conforto, segurança e prosperidade. Isso faz parte da vida neste mundo. "Dai a César o que é de César" nos lembra que há deveres terrenos a cumprir — obrigações civis, responsabilidades sociais e o uso consciente dos bens que possuímos.
Mas Jesus não parou aí. Ele completa: “... e a Deus o que é de Deus”. Essa segunda parte da frase carrega um ensinamento ainda mais profundo: há algo em nós que não pertence a este mundo. Há riquezas que não se contam em moedas, mas em atitudes, intenções, fé e amor. Essa é a riqueza espiritual — aquela que alimenta a alma e conecta o ser humano ao divino.
O que é de César
César, símbolo do poder terreno, representa tudo aquilo que é passageiro: o dinheiro, os bens, os títulos, a autoridade política ou econômica. Essas riquezas podem ser úteis — e muitas vezes são necessárias. Elas permitem construir, desenvolver, sustentar a vida material.
No entanto, quando o apego ao “César” se torna absoluto, caímos na ilusão de que o mundo visível é tudo o que existe. A riqueza material pode dominar o coração, provocar arrogância, gerar desigualdade e afastar o ser humano de sua essência.
O que é de Deus
Aquilo que é de Deus está além do tempo e do espaço. É a compaixão, a verdade, a bondade, o perdão, a fé, a esperança, o amor. É a consciência tranquila. É a capacidade de servir ao próximo. São os valores que não se compram, que não envelhecem, que não dependem de status ou prestígio.
Essa riqueza espiritual é invisível aos olhos, mas visível nas ações. Ela se manifesta quando alguém renuncia ao ódio, quando escolhe a honestidade em vez da vantagem fácil, quando socorre sem esperar aplausos, quando permanece íntegro mesmo em tempos de corrupção.
Uma fronteira que exige equilíbrio
A mensagem de Jesus não propõe o desprezo pelo mundo material, mas sim a separação dos reinos: devemos cumprir nossos deveres terrenos sem esquecer nossa vocação espiritual. É possível ser próspero sem ser ganancioso, ter bens sem ser escravo deles, viver no mundo sem perder a alma.
Buscar o que é de Deus é lembrar que nossa vida não se encerra nesta existência. É compreender que o sentido mais profundo da vida está em servir, amar, cuidar, evoluir. É trabalhar com as mãos, mas sem abandonar o coração.
Enfim
"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" é um chamado à consciência. À lucidez. À sabedoria de distinguir o que é passageiro do que é eterno. A riqueza material pode até abrir portas neste mundo, mas só a espiritual abre o coração — e o caminho da eternidade. Porque no fim, o que levamos não é o que possuímos, mas o que somos diante de Deus.
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