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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Nancy Westphalen, desencarna em Curitiba

Meu agradecimento por tudo que fez pelo espiritismo, pela Biblioteca Pública do Paraná e por tantos ensinamentos. Você é uma inspi

Nancy Westphalen, desencarna em Curitiba
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CSN - Central Sul de Notícias - colunista Lysandra Fortes do Amaral.

Nancy Westphalen, desencarnou em Curitiba no dia 19 de março de 2026. Meu agradecimento por tudo que fez pelo espiritismo, pela Biblioteca Pública do Paraná e por tantos ensinamentos. Você é uma inspiração para todos que ficam. “Nancy Westphalen Corrêa nasceu na cidade da Lapa, no Paraná, em 5 de abril de 1930. Filha de Joanita Westphalen Corrêa e Antônio Corrêa, mudou-se para Curitiba ainda criança com a sua família devido à mediunidade da sua mãe e, desde cedo, a acompanhava nos centros espíritas. Formada em Biblioteconomia e Documentação, lecionou na Universidade Federal do Paraná por mais de 30 anos e dirigiu a Biblioteca Pública do Paraná.


Sábado, 13 de agosto de 2022, em Curitiba, conheci pessoalmente Nancy. Estava como voluntária no bazar promovido pelo Centro Espírita Abibe Isfer, na Alameda Cabral, na recepção. Na escala original era para eu ficar em vendas, mas como uma trabalhadora se ausentou, assumi seu lugar com as demais voluntárias. Estava buscando o contato dela há meses, ouvi muito sobre ela e gostaria de conhecê-la.

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Por volta das 10 horas da manhã, uma mulher de muita luz atravessa a porta do Abibe Isfer e meu coração acelera, questiono mentalmente se é a Nancy que tanto buscava e, quando vejo, as pessoas a estão cumprimentando e falando seu nome. Naquele momento, agradeci a oportunidade. Fui em direção a ela, pedi gentilmente se poderia conversar brevemente comigo e com carinho segurou a minha mão e conversamos, reservadamente.


Disse estar surpresa com o encontro e contei que estava escrevendo um livro. Com um sorriso cativante e uma paz imensa, convidou-me para um café, passou seu telefone e disse que aguardaria entrar em contato. Em minha realidade, acreditava na grande dificuldade de me encontrar com Nancy, embora tivesse expectativas de um possível contato. Agora, um grande presente, tomando um café com Nancy, senti como se estivesse olhando um relógio próximo a disparar, envolvida e extasiada com a oportunidade, dando pulos acrobáticos mentais, seguidos de “soquinhos no ar”.
Na segunda entrei em contato no final da tarde, estava nervosa porque se trava da querida Nancy. Ela prontamente atendeu o telefone, lembrou de mim e ainda disse que meu nome lembrava o grande médico Lysandro de Paula Santos Lima. Agendamos nosso encontro para quinta-feira na Aliança Francesa da rua Prudente de Moraes.
Anita Zippin, grande amiga e Presidente da Academia de Letras José de Alencar, iria me acompanhar, a meu convite, mas teve um compromisso importante da Academia e brincamos que, desde o início, o encontro era para ser somente entre mim e a Nancy.


Em uma quinta-feira fria e chuvosa as aventuras começaram cedo. Estou atrasada para o trabalho, e o segurança patrimonial bateu na porta do meu apartamento por volta das oito horas para tirar meu carro que estava impedindo outro morador; meu secador de cabelo queimou, tantas coisas aconteceram para tirar minha paz, mas a única coisa que fiz, desde quando abri meus olhos naquela manhã, foi agradecer a oportunidade do encontro
que estava para acontecer e, ao som do piano Erroll Garner, trabalhei e aguardei o café tão esperado.
Nos encontramos no charmoso café Babette; foram tantas histórias, as quais não senti as 4 horas passarem, de café em café, pão de queijo para matar o que não alimenta a nossa alma.
Nancy merece um livro inteiro, porque sua vida não teve uma, mas milhares de histórias incríveis, com muitos ensinamentos. Sua força, seu amor e sua luz são admiráveis e só de ficar perto já me senti abençoada. Transborda conhecimento e humildade.


Aos cinco anos, criança ingênua, morava no bairro Bacacheri, em Curitiba. Seus pais gostavam muito de ir ao cinema e, quando eles iam para a cidade ver os filmes, ela reunia os funcionários do lar em um banco da sua casa, fazia orações e começava a dar passe. Quando a iniciativa não partia dela, partia deles, perguntando se já era a hora do passe.


Na juventude participou de alguns Centros Espíritas e começou a frequentar a União da Mocidade Espírita de Curitiba (UMEC). Conheceu o médium Divaldo Pereira Franco em 1954, quando ele veio para a Semana Espírita e deu sua primeira palestra. Estava muito frio e ele vestia um terno de lã em um tom rosa-escuro. Quem os apresentou foi o vice-presidente da Federação Espírita Paranaense, Abibe Isfer. Nancy perguntou para Divaldo, após as apresentações, se ele era o conferencista e ele disse que não, porque não iria apresentar tese, apenas iria proferir uma palestra. Ela ficou impressionada com a postura dele e sentou-se na primeira fileira, como de costume, com o grupo.


Seguido das preces e das apresentações iniciais, o convidado goiano que iniciou a palestra não conseguiu falar e foi neste momento que o Sr. João Ghignone apresentou o jovem Divaldo Franco, indicado pela Federação Espírita de São Paulo, e disse que como havia tempo na programação, ele iria falar algumas palavras. Inicialmente, Divaldo só falaria em Paranaguá-Pr e Ponta Grossa-Pr. Iniciou sua fala dizendo: Irmãos, bem-amados. Neste momento toda a vibração do ambiente mudou. Nancy chegou a olhar para as suas pernas para ver se ainda estava sentada ou no ar. Muitos tiveram essa sensação naquela noite especial e ele conquistou a plateia.


Quando terminou a palestra, foi cumprimentá-lo e disse para ela se organizar com o grupo da mocidade e informou que ela assistiria à palestra dele em Paranaguá-Pr no outro dia. E assim ela fez, seguiu com o grupo na manhã seguinte, às 7 horas, de trem. No retorno dessa viagem, já tinha sua mediunidade afirmada por Divaldo. Aceitou o convite da carona oferecida pelo seu Abibe Isfer para retornar de carro para Curitiba-Pr. No banco da frente estava Abibe e e Divaldo.

Em determinado momento da viagem pararam para comprar frutas para as meninas do Lar Icléa, e Nancy pediu banana-da-terra, sua fruta predileta. Ao dar o dinheiro, Abibe disse-lhe que não precisava pagar pois, a partir daquele dia ela seria uma filha para ele. Foi a partir daquele momento que seguiram, lado a lado, como pai e filha, durante 28 anos, encontrando-se umas quatrovezes por semana. Foi um marco na sua vida e na sua trajetória como trabalhadora no movimento espírita do Paraná.


Ao lado dele, colaborou com o Lar Icléia, Sanatório Bom Retiro, transmitia passes e palestras. Quando seu querido paizinho, como chamava com carinho, desencarnou, seguiu com os trabalhos espíritas. Em 1987, foi criado um Centro Espírita, como departamento da Federação Espírita do Paraná, juntamente de antigos trabalhadores e convidados de casas fechadas, com o nome de Abibe Isfer em homenagem ao querido médium. Durante anos o Centro foi frequentado por muitas pessoas que buscavam atendimento, orientações, passes e o estudo da doutrina.


Em 2001, a Federação Espírita Paranaense, com a aprovação do Conselho Federativo Estadual, deliberou a extinção do departamento Centro Espírita Abibe Isfer e aconselhou os seus trabalhadores que se vinculassem a outras casas espíritas da cidade.

Após o impacto da notícia, os trabalhadores se reuniram e decidiram que não iriam deixar o Abibe Isfer acabar. Criaram uma associação com personalidade jurídica própria. Nancy, que estava na direção da instituição, foi mediadora no período de transição, juntou um pequeno grupo de trabalhadores e foram até o presidente da FEP da época, Sr. Maurício; veio então o pedido de utilização em regime de comodato do prédio localizado na Alameda Cabral, atual sede do Abibe Isfer.

O prédio estava em péssimo estado e precisava de uma reforma urgente (que a FEP não pretendia realizar); mesmo assim aceitaram. Nancy mais uma vez estava à frente com outros colaboradores e assumiram a reforma. Surgiram doações de todas as maneiras. Com muita luta, esforço, amor e dedicação, a reforma foi finalizada, e o Centro Espírita Abibe Isfer (CEAI) foi fundado em 15 de setembro de 2002, tendo Nancy como a primeira Diretora Administrativa do CEAI. E lá se foram 20 anos até o nosso encontro espiritual. Ou seria reencontro?


Resposta na noite de luar.” Texto retirado do livro Gavetas da vida, ano 2022, página 46, título: Nancy Westphalen, autoria Lysandra Fortes do Amaral.

FONTE/CRÉDITOS: CSN - Central Sul de Notícias - colunista Lysandra Fortes do Amaral
Comentários:
Lysandra Fortes

Publicado por:

Lysandra Fortes

Lysandra Fortes do Amaral, empresária, espírita, escritora, autora do Livro Gavetas da Vida, membro da Academia de Letras José de Alencar e sócia fundadora do Sindicato de Escritores do Brasil

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