CSN - Central Sul de Notícias - jornalista Douglas de Souza
Da Redação
A defesa pública que Flávio Dino faz de Alexandre de Moraes vai além de uma relação de solidariedade entre ministros. Ela carrega um simbolismo político e institucional de grande peso.
Em primeiro lugar, o governo brasileiro não pode admitir que uma potência estrangeira dite como deve funcionar seu Judiciário. As críticas americanas e as sanções aplicadas contra o Brasil têm sido justificadas como reação a supostas violações democráticas promovidas pelo STF. Mas, na prática, configuram uma clara intervenção externa em questões de soberania.
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, determinada pelo Supremo, e a consequente narrativa de que a Corte estaria “prendendo adversários políticos” abriram espaço para que Washington usasse o episódio como justificativa para tarifas e barreiras comerciais. Dino reage a esse movimento com firmeza, porque sabe que está em jogo não apenas a imagem de Moraes, mas a credibilidade das instituições brasileiras.
Além disso, Dino reforça uma frente política de defesa do Supremo. Em tempos de radicalização, qualquer ataque externo ou interno contra a Corte pode servir de combustível para a desestabilização democrática. Proteger Moraes significa, para Dino, proteger também o equilíbrio institucional e o próprio governo Lula.
No fundo, o embate ilustra o choque entre diferentes visões de democracia. Para os EUA, a prisão de Bolsonaro é vista como autoritária. Para parte da classe política brasileira, é entendida como consequência de seus atos e necessária à preservação da ordem. No meio desse tabuleiro, Flávio Dino atua como articulador, tentando blindar Alexandre de Moraes e reduzir os efeitos de uma crise que mistura diplomacia, economia e política.
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