CSN - Central Sul de Notícias - Colunista - . J.Tucon
No caminho para o bosque, muitas vezes nossos olhos se perdem no horizonte, buscando algo grandioso, uma paisagem impressionante ou um acontecimento que justifique a pausa. No entanto, é no detalhe quase imperceptível que o mundo revela sua verdadeira magia. Uma simples folha, caída no chão, tocada pelos raios do sol, pode transformar-se em uma obra de arte efêmera.
Ali, entre luz e sombra, ela ganha novas formas, novas cores e uma nova identidade. Deixa de ser apenas um fragmento da árvore que a gerou e se converte em escultura viva, moldada pelo instante. Quem passa distraído não a vê, para muitos, ela é invisível, quase inexistente. Mas para o observador atento, para aquele que se permite desacelerar, o espetáculo está completo.
Essa experiência nos convida a refletir sobre nossa própria forma de ver o mundo. Quantas “folhas iluminadas” deixamos de notar diariamente? Quantas belezas se perdem na pressa?
A natureza, com sua generosidade, oferece constantemente pequenas exposições de arte, um reflexo na água, um galho torto que desenha no ar, o voo de um pássaro, mas cabe a nós, espectadores, decidir se queremos ver ou seguir adiante sem perceber.
No fundo, a ínfima folha é um lembrete da transitoriedade de tudo. Aquela cena dura segundos, talvez minutos, até que o vento a leve ou o sol mude de posição. É uma escultura que se desmonta sozinha, um presente que só existe no agora. Ao reconhecê-la, o observador participa desse instante de beleza, tornando-se também parte da obra.
ANO: 2021
LOCAL : Capão da Imbuia, Curitiba, PR
Comentários: