CSN - Central Sul de Notícias - Colunista Correia Lacerda
Da Redação
Em um mundo dominado pelo consumo, pelo acúmulo e pela ostentação, não é difícil entender por que as riquezas materiais parecem ocupar lugar de destaque nas prioridades da sociedade. Carros de luxo, mansões, roupas de grife, contas recheadas em bancos: tudo isso virou sinônimo de sucesso e de valor pessoal. Mas por que, afinal, as riquezas materiais passaram a estar acima das morais? E será que essa é, de fato, a medida real da riqueza?
A cultura do ter em vez do ser
Vivemos em uma era onde o valor de uma pessoa muitas vezes é medido por aquilo que ela tem, e não por quem ela é. Essa inversão de valores é fruto de um sistema capitalista que se alimenta do desejo constante por mais: mais dinheiro, mais status, mais visibilidade. Desde cedo, somos ensinados a competir, a comparar, a acumular. A propaganda molda o comportamento. As redes sociais amplificam essa lógica, premiando a aparência e o sucesso material com curtidas e aprovação pública.
Nesse cenário, as riquezas morais — como honestidade, empatia, compaixão, integridade — perdem espaço. Elas não geram lucros. Não causam inveja. Não são fotografáveis.
A falsa sensação de segurança
O apego excessivo aos bens materiais também nasce do medo: medo da escassez, da exclusão, da vulnerabilidade. Ter é, para muitos, sinônimo de segurança. E há um fundo de verdade nisso — afinal, em uma sociedade desigual, quem tem dinheiro vive melhor, com mais acesso à saúde, educação, segurança e oportunidades.
Mas essa sensação de segurança é ilusória quando descola-se dos valores humanos. A história está repleta de exemplos de pessoas extremamente ricas que viveram infelizes, solitárias ou angustiadas. O dinheiro pode comprar conforto, mas não garante paz de espírito. Pode proporcionar experiências, mas não substitui conexões verdadeiras.
Qual é a verdadeira riqueza?
A verdadeira riqueza da vida não se mede pelo saldo bancário, mas pela capacidade de amar, de contribuir, de fazer o bem. A riqueza moral constrói vínculos duradouros, dá sentido à existência, torna a vida digna de ser vivida.
Ser ético num mundo corrompido é uma forma de resistência. Ter caráter quando tudo empurra para o egoísmo é um ato de coragem. A verdadeira riqueza está na consciência tranquila, nos afetos verdadeiros, na solidariedade desinteressada, na alegria que não depende de consumo.
Um equilíbrio possível
Isso não significa demonizar o dinheiro ou os bens materiais. Eles são importantes e, em muitas situações, essenciais. Mas quando colocamos o ter acima do ser, acabamos escravizados pelo desejo de mais — e nos afastamos de nós mesmos.
O desafio contemporâneo é buscar o equilíbrio: conquistar o suficiente para viver com dignidade, mas sem perder os valores que dão sentido à vida. Usar as riquezas materiais como meio — e não como fim. E reconhecer que a maior herança que alguém pode deixar não está em cofres, mas em memórias, exemplos, gestos e valores. Num tempo em que tudo parece ter um preço, é urgente resgatar aquilo que tem valor. As riquezas materiais passam. As morais, permanecem. E, no fim, é isso que nos define — e nos salva.
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