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Da Redação
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Ainda assim, boa parte do café vendido no mercado interno é alvo de críticas por baixa qualidade, mistura de grãos inferiores e sabor inconsistente. A pergunta que ecoa entre consumidores é direta: por que o brasileiro, que vive no país do café, muitas vezes não bebe o melhor café?
Exportação leva os melhores grãos
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o Brasil consome cerca de 21 milhões de sacas por ano e exporta mais de 35 milhões. O mercado externo, especialmente Europa, Estados Unidos e Ásia, paga em dólar — o que torna mais lucrativo enviar grãos especiais para fora.
Com o dólar valorizado frente ao real, produtores priorizam lotes de melhor qualidade para exportação. O resultado é simples: o mercado interno acaba recebendo, em grande parte, cafés de padrão inferior, blends com maior proporção de grãos defeituosos ou de qualidade mais baixa.
O selo da ABIC garante qualidade?
A ABIC mantém o Programa de Qualidade do Café (PQC), que classifica produtos como Tradicional, Superior ou Gourmet. No entanto, especialistas do setor afirmam que:
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O selo garante padrões mínimos dentro da categoria, mas não necessariamente excelência.
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A fiscalização é amostral e depende da manutenção do padrão pela indústria.
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Nem todos os cafés comercializados passam por avaliações sensoriais frequentes.
Ou seja, o selo indica conformidade com critérios estabelecidos, mas não elimina variações de qualidade.
O que chega às prateleiras?
Grande parte do café mais barato vendido no Brasil é composto por:
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Mistura de grãos arábica e conilon (robusta)
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Grãos com defeitos
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Torra excessiva para mascarar imperfeições
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Moagem muito fina, que dificulta perceber falhas
A torra muito escura, comum no Brasil, altera o sabor e pode esconder problemas do grão original. Já cafés especiais, com rastreabilidade e pontuação acima de 80 pontos na metodologia internacional, são frequentemente destinados ao exterior ou vendidos aqui com preço elevado.
O fator dólar pesa?
Sim, mas não é o único fator.
O dólar influencia diretamente:
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Preço da saca exportada
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Decisão do produtor sobre destino do lote
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Formação de preço no mercado interno
Quando o dólar sobe, exportar se torna ainda mais vantajoso. Porém, também entram na equação:
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Custo de produção
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Estrutura tributária
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Política de comercialização
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Modelo industrial de blends de grande escala
Café bom só para exportação?
Não necessariamente. O Brasil possui um mercado crescente de cafés especiais, com torrefações artesanais e pequenos produtores focados em qualidade. O problema é que esse segmento ainda representa parcela menor do consumo total.
Enquanto isso, a maior parte da população consome café tradicional, muitas vezes escolhido apenas pelo preço.
Consumidor paga caro e leva menos qualidade
Com a alta do café nos últimos anos, muitos consumidores passaram a pagar mais por marcas conhecidas esperando melhoria na qualidade. No entanto, nem sempre há transparência clara sobre origem do grão, tipo de torra e composição do blend.
Especialistas defendem maior educação do consumidor e fiscalização mais rígida para elevar o padrão médio do café comercializado internamente.
O que observar na hora da compra
✔ Prefira cafés com indicação de origem
✔ Observe a categoria (Tradicional, Superior ou Gourmet)
✔ Verifique a data de torra
✔ Desconfie de torra muito escura
✔ Experimente cafés de pequenos produtores
Dados Atualizados do Setor
Maior produtor mundial: O Brasil lidera a produção global de café há mais de 150 anos.
Exportações elevadas: Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exporta mais de 35 milhões de sacas por ano.
Consumo interno: De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o mercado interno consome cerca de 21 milhões de sacas anuais.
Influência do dólar: Com a valorização da moeda americana, produtores priorizam a exportação de cafés especiais.
Categorias no Brasil: Tradicional, Superior e Gourmet — mas nem sempre a classificação reflete padrão elevado de qualidade sensorial.
Crescimento dos especiais: O mercado de cafés especiais cresce no Brasil, mas ainda representa fatia menor do consumo total.

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